TEMÁTICA

Vista aérea RJ e Baía de Guanabara google earth
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O I CILITUR tem como objetivo principal refletir sobre as relações entre turismo e os distintos territórios ao longo da zona costeira, considerando, além dos aspectos econômicos, sociais e ambientais, os avanços e desafios que o Estado tem enfrentado na busca do ordenamento e dinamização da atividade.

TEMÁTICA

Ao longo dos últimos cinquenta anos o turismo tem se apresentado como um setor econômico resistente às várias crises graves que a economia global experimentou. A crise atual não comprometeu significativamente o turismo internacional e ele vem se transformando em alternativa econômica de muitos países afetados pelo declínio de economias baseadas em matérias-primas ou atividades industriais de menor monta.  Nesse período, o turismo tornou-se um grande motor que transformou cidades e territórios prometendo uma oferta de desenvolvimento econômico e social para vários países, mas ao mesmo tempo trouxe impactos significativos e diversos para destinos pouco preparados para absorver, de modo social e ambientalmente responsável, seu desenvolvimento.

Mercado promissor (entre os cinquenta países mais visitados), mesmo não fazendo parte das principais zonas de turismo mundial, o Brasil apresenta-se como um considerável mercado emissor dentre as economias emergentes e apresenta, como destino, um desenvolvimento turístico crescente, ainda que pouco competitivo no receptivo internacional já que a maior demanda ainda é doméstica.

A diversidade territorial brasileira tem permitido modalidades variadas de turismo em diferentes regiões do país, como as relacionadas aos diferentes biomas (Amazônia, Zona Costeira, etc.), às cidades históricas e patrimoniais e às metrópoles culturais. Ainda que todos estes lugares sofram os impactos do turismo, a extensa faixa litorânea, historicamente mais urbanizada, concentra diversos usos e atividades econômicas pretéritas e atuais e, por isso mesmo apresenta diversos conflitos e contradições no seu processo de urbanização, podendo ser considerada, portanto, como um dos biomas mais afetados pela atividade turística.

Com mais de 7 mil km de litoral, o Brasil possui 275 municípios litorâneos e dentre estes, algumas importantes capitais e suas regiões metropolitanas. Se a interface com o mar trouxe num primeiro momento as vantagens da exploração dos recursos marinhos e o favorecimento da circulação de mercadorias intercontinentais através de seus portos, a partir da segunda metade do século XX, observa-se a apropriação da beira-mar pelas atividades de turismo e lazer. Núcleos urbanos menores, próximos às capitais, têm assistido a uma ocupação intensa da costa, primeiramente por residências de veraneio e mais recentemente por resorts e empreendimentos turísticos imobiliários, configurando-se em alguns casos, em bairros ou cidades planejadas. Contudo, essa urbanização turística avança de forma efetiva e se apropria dos espaços naturais e construídos mais valorizados e tende a gerar conflitos com a população autóctone cuja mobilidade e ocupação fica restrita aos resíduos da cidade formal. Mas essa problemática, assim como outras decorrentes da atividade turística, não está restrita a essa zona, e se replica, em diferentes escalas de tempo e espaço, nas demais zonas e cidades turísticas brasileiras, ainda que com diferenças em função das regionalidades.

Em que pese os esforços empreendidos pelas políticas públicas federais de turismo notadamente a partir do lançamento do  PRODETUR (Programa de Desenvolvimento do Turismo) em 1994 e da criação do Ministério do Turismo em 2003, o que se observa é que ainda existe um fosso entre o que se almeja, enquanto política pública, e o que se realiza no âmbito da produção do espaço. Embora os números demonstrem um aumento considerável da demanda, sobretudo doméstica, e uma melhor organização e sistematização da oferta, agora regulamentada por decreto federal, a lógica da produção espacial revela conflitos sociais, de usos e interesses que muitas vezes não agregam a população local.

Diante desse panorama diverso e complexo entre a atividade turística, as políticas públicas e seu reflexo na organização das cidades litorâneas, o I CILITUR convida pesquisadores e profissionais a contribuírem com o debate submetendo trabalhos completos para apresentação em sessões de comunicação ou pôsteres nos seguintes temas, que incluem, preferencialmente:

A) Urbanização turística

São bem vindos trabalhos que discutam os processos de urbanização turística em seus territórios em variadas escalas nas mais diferentes tipologias (segundas residências, hotelaria, resorts e empreendimentos turísticos imobiliários) e seus efeitos (morfológicos, sociais, econômicos e/ou ambientais) na produção e consumo do espaço.

B) Políticas de turismo e território

Essa tema acolhe trabalhos que buscam  avaliar o papel das políticas públicas de turismo, sejam de âmbito federal (incluindo o Prodetur), estadual ou municipal no sentido de dinamizar a atividade e sua relação com o território.

C) Turismo e conflitos socioespaciais

Trabalhos que busquem evidenciar as questões relacionadas à gentrificação e produção de ícones urbanos e arquitetônicos que promovam a visitação turística, os conflitos decorrentes dos impactos em bens ambientais e culturais e a exclusão da população autóctone decorrente do processo de gentrificação.

D) Turismo de base comunitária

Trabalhos interessados em evidenciar as iniciativas de turismo que vêm sendo desenvolvidas como alternativa ao modelo hegemônico, pautadas na participação popular, no combate à pobreza e em processos de autogestão empreendidos a partir do local, considerando as peculiaridades e as heterogeneidades do mesmo.

E) Interseção entre turismo e outras atividades

Trabalhos que enfatizam as relações entre paisagem, turismo e lazer, os conflitos com outras atividades econômicas e os usos litorâneos (pesca, porto, indústria, habitação, etc).